Créditos de IA ou chave própria? A conta que ninguém mostra
As ferramentas vendem IA em pacotes de créditos com margem embutida. Usar a chave do seu fornecedor muda a conta — e este artigo mostra os números e quando cada modelo compensa.
Abre a página de preços de uma ferramenta e encontra a linha: "500 créditos de IA por mês". Ninguém explica quanto vale um crédito, quantos créditos consome um resumo, nem o que acontece no dia 18, quando o saldo acaba. A conta é opaca por construção.
Existe outra forma de cobrar a IA, e tem um nome feio de sigla: BYOK, de "traga a sua própria chave". Em vez de comprar créditos da ferramenta, liga a chave da sua conta num fornecedor de modelos — OpenAI, Gemini ou Claude — e paga o consumo diretamente a quem processa. Este texto compara os dois modelos com a calculadora na mão.
Os dois modelos, sem marketing
Crédito: compra unidades da ferramenta
A ferramenta contrata o fornecedor de IA por grosso, embala o consumo em "créditos", "mensagens" ou "ações de IA" e revende. O preço por unidade inclui a margem dela, e a unidade quase nunca corresponde a algo verificável: uma pergunta curta e um resumo de trinta comentários podem custar o mesmo crédito, embora o custo real de processamento seja muito diferente.
Quando o saldo acaba, a funcionalidade pára. Compra um pacote extra, espera pela viragem do mês ou sobe de plano. O crédito que sobra raramente se acumula.
Chave própria: paga ao fornecedor
Cria uma conta no fornecedor, gera uma chave e cola-a na ferramenta. A partir daí, cada operação de IA é cobrada por token processado, ao preço de tabela do fornecedor, e aparece na fatura dele. A ferramenta não entra nessa conta.
O token é o pedaço de texto que o modelo lê ou escreve, mais ou menos três quartos de uma palavra em português. Os fornecedores cobram por milhão de tokens, e a diferença entre os modelos é grande: os ligeiros custam uma fração do preço dos modelos de raciocínio mais pesados.
| Critério | Crédito da ferramenta | Chave própria (BYOK) |
|---|---|---|
| Quem define o preço | A ferramenta, com margem incluída | O fornecedor, na tabela pública |
| Quando acaba | A funcionalidade pára até comprar mais | Não acaba: paga o que usou |
| Escolha do modelo | Definida pela ferramenta | Sua, inclusive por tipo de tarefa |
| Visibilidade da despesa | Saldo de créditos | Consumo por dia e por modelo, no painel do fornecedor |
| Limite de despesa | O pacote contratado | Teto mensal configurado por si |
| Trabalho inicial | Nenhum | Criar conta no fornecedor e colar a chave |
Porque é que o crédito sai mais caro do que parece
São quatro efeitos somados.
A margem. É legítima — a ferramenta assume o risco de consumo —, mas existe e não a vê. Cada crédito carrega o custo do fornecedor mais a proteção da ferramenta contra quem usa muito.
O arredondamento. Cobrar por "ação" ignora o tamanho do texto. Quem faz muitas operações pequenas — resumir um comentário, melhorar um título — paga como se cada uma fosse grande.
O saldo que caduca. O pacote mensal é pago adiantado. No mês em que a equipa viajou, fez pouco e usou metade, a outra metade evaporou-se.
O modelo escondido. Se a ferramenta decide que modelo usar, tem incentivo para escolher o mais barato quando a margem aperta. Percebe-o pela queda de qualidade, sem saber a causa.
Na Tasskee, o assistente, a IA nas tarefas e nos documentos e o atendente de IA funcionam com a chave do seu fornecedor. O consumo é pago diretamente a ele, ao preço de tabela, e escolhe um modelo ligeiro para as tarefas simples.
Ver como funciona a IA da TasskeeQuando o crédito é a melhor opção
Nem sempre a chave própria ganha. Três casos em que o pacote compensa:
- Não quer configurar nada. Criar conta no fornecedor, registar um cartão internacional e gerar a chave demora quinze minutos, mas é um passo a mais. Quem vai usar IA duas vezes por mês não deve gastar esse tempo.
- A sua empresa não pode abrir conta num fornecedor estrangeiro. Há operações financeiras com regras rígidas de fornecedores. Nesse caso, o crédito incluído na fatura da ferramenta resolve um problema administrativo real.
- O volume é muito baixo e o pacote já vem incluído. Se o plano que ia contratar de qualquer forma traz créditos suficientes, não há poupança a perseguir.
Como estimar o seu consumo antes de decidir
Dá para fazer a conta em dez minutos, sem folha de cálculo complicada.
- Liste as operações da semana. Quantos documentos viram tarefas, quantos resumos de discussão, quantas perguntas ao assistente. Seja realista: a maioria das equipas faz entre vinte e cem operações por semana.
- Estime o tamanho de cada uma. Um resumo de tarefa com trinta comentários envia alguns milhares de tokens. Uma pergunta de acompanhamento envia bem menos. Um documento longo a transformar-se em plano é a operação mais cara do conjunto.
- Escolha o modelo por tipo de tarefa. Resumos, títulos e checklists funcionam bem em modelos ligeiros. Guarde o modelo caro para o que exige raciocínio, como dividir um âmbito grande em tarefas com dependências.
Com o número de operações e o modelo definidos, a calculadora do próprio fornecedor fecha a conta. O resultado costuma surpreender: para uma equipa pequena com uso diário moderado, o consumo mensal fica bem abaixo do preço de um pacote de créditos equivalente — e desce ainda mais quando as tarefas simples correm num modelo ligeiro.
O que verificar antes de escolher
- A ferramenta deixa-o escolher o fornecedor, ou só trabalha com um?
- É possível usar modelos diferentes em funcionalidades diferentes, ou a escolha é única para tudo?
- A chave fica guardada encriptada?
- Existe registo do que a IA fez, com autor e hora?
- Consegue desligar a IA sem perder nada do resto do produto?
As duas últimas perguntas são as que mais separam produtos sérios de demonstrações. Uma IA que executa ações precisa de auditoria e confirmação no que não tem volta, independentemente de quem paga a conta dos tokens.
A decisão, numa frase
Se a sua equipa vai usar IA a sério, todos os dias, a chave própria compensa o esforço inicial logo no primeiro mês e ainda devolve o controlo do custo. Se o uso é ocasional, o crédito incluído é conveniente e a diferença não importa.
O que não dá é escolher sem saber que modelo a ferramenta usa. Antes de subscrever, pergunte. E se a resposta for vaga, considere isso parte da resposta. Se quiser aprofundar o assunto, leia também o que a IA realmente resolve num projeto e veja onde entra no trabalho do dia a dia.