O que é o 5W2H: guia completo com exemplo.
O 5W2H é uma lista de sete perguntas que transforma uma intenção em ação com responsável, prazo e custo. Aqui encontra cada pergunta em detalhe, um exemplo comentado e os erros que fazem o plano morrer.
O 5W2H é uma lista de sete perguntas que transforma uma intenção em ação com responsável, prazo e custo. Aqui encontra cada pergunta em detalhe, um exemplo comentado e os erros que fazem o plano morrer.
O 5W2H é uma ferramenta de planeamento que organiza uma ação respondendo a sete perguntas: o quê, porquê, onde, quando, quem, como e quanto custa. O nome vem das iniciais, em inglês, de What, Why, Where, When, Who, How e How much. São cinco perguntas que começam por W e duas que começam por H, daí 5W2H.
Quase todas as reuniões terminam com alguém a dizer "então vamos melhorar isto". Uma semana depois, ninguém sabe quem ficou de fazer o quê, até quando, nem quanto custa. O 5W2H existe para fechar essa lacuna: obriga a transformar a intenção em ação com responsável, prazo e orçamento. Este guia explica cada pergunta, compara com o 5W1H, mostra um exemplo comentado e ensina a ligar o plano ao PDCA e ao diagrama de Ishikawa. Se só quer a folha de cálculo, vá diretamente ao modelo de 5W2H para transferir.
O 5W2H está associado à gestão da qualidade, onde é usado como ferramenta de apoio para montar planos de ação, a par de outras como o ciclo PDCA e o diagrama de causa e efeito. Chegou ao Brasil por esse caminho e espalhou-se: hoje é comum em operações, vendas, marketing, RH e pequenos projetos. As perguntas em si vêm de um guião clássico de investigação, o mesmo que os jornalistas usam para apurar um facto, e a pergunta sobre o custo foi acrescentada para o uso em planos de ação.
Circulam muitas versões sobre a autoria e a data de criação na internet, e nenhuma é consensual. O que importa é o uso: sete perguntas, uma tabela, uma linha por ação.
É a ação, escrita como verbo no infinitivo mais o resultado: "instalar leitor de código de barras na expedição". Evite temas ("logística") e frases vagas ("melhorar a comunicação"). Uma boa regra: se não consegue imaginar alguém a fazer aquilo numa terça-feira de manhã, ainda não é uma ação.
A justificação: o problema que a ação ataca ou o resultado que procura. É a coluna que mais se perde, porque parece óbvia. Mas é ela que permite decidir, mais tarde, o que cortar quando o prazo apertar: se a ação não tem um "porquê" forte, é a primeira candidata a sair. Evite repetir o "o quê" com outras palavras.
O local da ação: uma unidade, um setor, um sistema, um canal. Em empresas com mais de uma morada ou mais de um sistema, esta coluna evita a dúvida clássica de "isto é para qual filial?". Quando a ação é puramente interna e não há um local relevante, pode escrever-se o setor ou o sistema envolvido, mas não a deixe em branco: a pergunta pode revelar que a ação abrange mais do que um local.
O prazo, com data. "Até 31/10" ou "de 06/10 a 10/10". Expressões como "em breve", "no próximo mês" e "assim que possível" não são prazos. Se a ação tem início e fim distintos, escreva os dois. Se depende de outra, escreva a condição ("depois da aprovação do orçamento") e uma data-limite.
O responsável, com nome. Uma só pessoa. Quando se escreve "o comercial" ou "a equipa", todos assumem que outro vai tratar do assunto. Se a ação envolve várias pessoas, indique quem responde por ela e deixe os apoios na coluna do "como". Se precisa de deixar claro quem executa, quem aprova e quem apenas é avisado, o recurso certo é a matriz RACI.
O método: os passos principais, a ferramenta, a técnica. Aqui está o equilíbrio: se for curto demais ("fazer"), não orienta; se for longo demais, transforma a linha num manual. Duas ou três frases bastam. Quando o "como" se complica, é sinal de que a ação devia dividir-se em duas.
O custo estimado, em reais, mesmo quando é zero. Uma armadilha frequente é anotar R$ 0 para tudo o que é feito pela equipa interna, ignorando o tempo. Para ações grandes, vale a pena estimar também as horas. Este número permite somar o plano inteiro e levar o total para aprovação.
O 5W1H é o mesmo guião sem a última pergunta: o quê, porquê, onde, quando, quem e como. Serve bem para descrever uma situação ou uma ação e é a versão original da apuração jornalística. O 5W2H acrescenta o custo, o que o torna mais útil num plano de ação, em que alguém tem de aprovar a despesa e decidir a prioridade.
| 5W1H | 5W2H | |
|---|---|---|
| Perguntas | 6 (sem o "quanto") | 7 (com o "quanto") |
| Foco | Descrever um facto ou uma ação | Planear e orçamentar uma ação |
| Quando usar | Relatório, ocorrência, descrição de processo | Plano de ação, melhoria, pequeno projeto |
| Exige orçamento? | Não | Sim, mesmo que seja R$ 0 |
Ele não é a melhor ferramenta quando as ações dependem umas das outras (a etapa 3 só começa quando a 2 termina). A tabela não mostra o efeito em cadeia de um atraso. Nesse caso, combine o plano com um cronograma de projeto ou um gráfico de Gantt.
Situação: uma distribuidora de materiais elétricos de Joinville tem 78% dos pedidos entregues dentro do prazo e quer chegar aos 92% até ao fim de novembro. A reunião de operações identificou a causa provável: a conferência manual na expedição gera erros e retrabalho.
| O quê | Porquê | Onde | Quando | Quem | Como | Quanto |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mapear o tempo de cada etapa do pedido | Descobrir onde o atraso se concentra | Centro de distribuição | 06/10 a 10/10 | Juliana (operações) | Cronometrar 3 turnos e anotar por etapa | R$ 0 |
| Definir prazo máximo por etapa | Dar uma meta clara a cada setor | Reunião de operações | 13/10 | Rafael (gerente) | Fixar o limite a partir dos tempos medidos | R$ 0 |
| Instalar leitor de código de barras | Eliminar a conferência manual | Expedição | Até 31/10 | Lucas (TI) | Comprar 2 leitores e integrar no sistema de pedidos | R$ 1.800 |
| Formar a equipa no novo fluxo | Garantir que todos seguem o mesmo processo | Sala de formação | 20/10 a 24/10 | Juliana (operações) | Duas turmas de 2 horas, com o fluxo impresso | R$ 400 |
| Acompanhar o prazo durante 4 semanas | Medir se as ações funcionaram | Painel de indicadores | 03/11 a 28/11 | Rafael (gerente) | Revisão semanal da percentagem dentro do prazo | R$ 0 |
O plano não indica o valor-alvo em cada ação, só na situação inicial. Em planos maiores, vale a pena incluir uma coluna extra de "indicador de sucesso" (por exemplo, "conferência sem erros em 95% das caixas"). E há uma dependência escondida: se a formação incluir o uso dos leitores, só faz sentido depois da instalação, e as datas do plano (formação de 20/10 a 24/10, instalação até 31/10) estão na ordem inversa. É o tipo de problema que um 5W2H puro não mostra, mas que uma vista em cronograma torna evidente.
Transfira o plano 5W2H em folha de cálculo, com este exemplo preenchido, e adapte-o ao seu problema.
Transferir o modelo de 5W2HO 5W2H raramente trabalha sozinho. É a etapa final de um raciocínio que começa no problema.
O PDCA tem quatro etapas: Plan (planear), Do (fazer), Check (verificar) e Act (agir, padronizando o que correu bem ou corrigindo o que não correu). O 5W2H é o desdobramento da primeira: o "Plan" detalhado. Depois de as ações serem executadas (Do), alguém tem de confirmar se o número mudou (Check) e decidir o que fazer a seguir (Act). A última linha do exemplo acima, "acompanhar o prazo durante quatro semanas", é precisamente o Check.
Se o resultado não veio, o ciclo recomeça: novas causas, novo plano. Se veio, a mudança é padronizada num procedimento ou numa instrução de trabalho, para não depender da memória de quem lá estava.
O ponto fraco do 5W2H em folha de cálculo é o dia seguinte: nada avisa o responsável de que o prazo se aproxima, nem mostra ao gerente o que está parado. Alguém tem de se lembrar de cobrar, e essa pessoa costuma ser quem já está mais ocupada.
A saída é levar o plano para onde o trabalho acontece. Se cada linha é uma tarefa com responsável e prazo, o plano deixa de ser um documento e passa a ser trabalho em curso. É o mesmo princípio de qualquer plano de ação: a ação só existe quando aparece na lista de quem a vai executar.
Se o plano tem muitas etapas encadeadas, o mesmo conjunto de tarefas pode ser visto num cronograma com dependências. E se o seu objetivo é maior do que um plano de ação, como "duplicar as entregas dentro do prazo", pode tornar-se um resultado-chave de um OKR, com o 5W2H como o plano que sustenta o número. Para ver o formato aplicado a mais situações, leia os exemplos de 5W2H.
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