SLA é o compromisso de tempo que uma área assume com quem depende dela. "Respondemos em até 1 hora e resolvemos em até 1 dia útil" é um SLA. O nome vem do inglês Service Level Agreement, em português acordo de nível de serviço, e aparece em contratos de TI, em central de atendimento, em manutenção predial e em qualquer operação que recebe pedidos e precisa devolver resposta.
Este guia explica o conceito do começo ao fim: o que entra num SLA, como definir o primeiro, como medir e o que fazer quando o prazo estoura. Se você já tem o conceito e quer a rotina de calibrar prazos no dia a dia, o post SLA de atendimento na prática complementa este texto.
O que é SLA
Um SLA responde a três perguntas: o que está sendo prometido, em quanto tempo e como isso será medido. Um acordo que não diz como será medido é só uma intenção. "Atendimento rápido" não é SLA. "Primeira resposta em até 2 horas úteis, medida da abertura do chamado até a primeira mensagem de um atendente" é.
O SLA pode existir entre a empresa e o cliente, e então vira cláusula de contrato ou de proposta. Pode existir também entre duas áreas da mesma empresa, como o suporte e o time de desenvolvimento, e então é um combinado interno. Nos dois casos, a função é a mesma: transformar expectativa em número que dá para conferir.
SLA, SLO e SLI sem exagero
Três siglas aparecem juntas, e vale saber a diferença sem transformar isso em burocracia.
- SLI (indicador de nível de serviço): o que você mede. Exemplo: o tempo entre a abertura do chamado e a primeira resposta.
- SLO (objetivo de nível de serviço): a meta interna sobre o indicador. Exemplo: 90% dos chamados com primeira resposta em até 1 hora.
- SLA (acordo de nível de serviço): o compromisso formal com o cliente, normalmente apoiado em um SLO e com consequência prevista se não for cumprido, como um desconto ou uma revisão do plano.
Numa empresa pequena, é comum usar a palavra SLA para tudo, e não há problema nisso. O que importa é ter o indicador claro, a meta definida e alguém olhando o número. A distinção ganha peso quando a empresa passa a ter contratos com multa: aí convém que o SLA com o cliente seja mais folgado que o objetivo interno, para sobrar margem de segurança.
Tempo de primeira resposta e tempo de solução
O SLA de atendimento quase sempre tem dois relógios, e confundi-los é o erro mais barato de evitar.
Tempo de primeira resposta
É o intervalo entre o cliente pedir e a empresa dar o primeiro retorno com conteúdo. Mede a atenção: o cliente sabe que foi visto. Uma resposta automática do tipo "recebemos sua mensagem" normalmente não conta, porque não diz nada sobre o problema. Conta o retorno de uma pessoa, ou de um atendente de IA, que reconhece o pedido e diz o próximo passo.
Tempo de solução
É o intervalo até o pedido ser encerrado. Mede a efetividade. É o prazo mais difícil de cumprir, porque muitas vezes depende de outra área, de um fornecedor ou de uma correção que entra na fila do desenvolvimento. Por isso o prazo de solução é sempre maior, e muitas empresas o definem por prioridade, não por tipo de assunto.
Há ainda um terceiro prazo útil: a resposta seguinte, o tempo entre cada nova mensagem do cliente e o retorno do time. Ele evita o chamado que é respondido rápido na abertura e depois fica dias parado.
| Relógio |
O que mede |
Quando para |
| Primeira resposta |
Atenção: o cliente foi visto |
No primeiro retorno humano com conteúdo |
| Resposta seguinte |
Continuidade da conversa |
Quando o time responde a cada nova mensagem |
| Solução |
Efetividade: o problema acabou |
No encerramento do chamado |
Horário comercial ou 24×7
A primeira decisão do acordo é quando o relógio corre. Existem dois modelos.
Horário comercial. O prazo só conta nos dias e horas de atendimento, por exemplo de segunda a sexta, das 8h às 18h. Um chamado aberto na sexta às 17h com prazo de 4 horas úteis vence na segunda às 11h. É o modelo da maior parte das empresas pequenas e médias, porque cabe na escala do time.
24×7. O prazo corre o tempo todo, inclusive à noite, em fim de semana e feriado. Faz sentido para serviço crítico, como um sistema de pagamento ou uma operação de segurança eletrônica com monitoramento. Exige plantão, escala e custo, e por isso costuma valer só para a faixa de prioridade mais alta.
O modelo misto é o mais realista: prioridade crítica em 24×7, o resto em horário comercial. O texto do acordo precisa dizer quais são os dias, as horas, o fuso e como ficam os feriados. Cliente que escreve às 23h e lê "resposta em 1 hora" entende o que está escrito, e não o que você quis dizer.
Prioridades e matriz de prazos
Prazo único para tudo trata uma queda de sistema e uma dúvida sobre fatura do mesmo jeito. A matriz de prioridade resolve isso: cada chamado recebe uma faixa, e cada faixa tem seus prazos. Duas a quatro faixas bastam. Mais que isso, o time perde tempo discutindo em qual faixa o chamado entra.
A prioridade costuma sair do cruzamento de dois critérios: o impacto (quantas pessoas ou quanto do negócio param) e a urgência (o quanto o problema piora com o tempo). Um exemplo de matriz, para uma empresa de suporte em horário comercial:
| Prioridade |
Quando se aplica |
Primeira resposta |
Solução |
| Crítica |
Serviço parado para vários clientes |
15 minutos |
4 horas |
| Alta |
Um cliente não consegue trabalhar |
1 hora |
1 dia útil |
| Normal |
Funciona, mas com falha ou lentidão |
4 horas |
3 dias úteis |
| Baixa |
Dúvida, pedido de ajuste, solicitação comum |
1 dia útil |
5 dias úteis |
Os números são um exemplo, não uma recomendação. O que se copia da tabela é a estrutura: critério de enquadramento claro, prazos que diminuem conforme a gravidade e uma regra para quem decide a faixa. Decidir isso na hora, por quem atende, evita que todo cliente peça "urgente".
Prazo por canal
O canal também muda a expectativa. Quem manda e-mail aceita esperar algumas horas. Quem manda mensagem de WhatsApp espera minutos. Um prazo só para os dois deixa o time lento num canal e rigoroso demais no outro. Mais adiante há uma seção só sobre WhatsApp.
Como definir o primeiro SLA de uma empresa pequena
A empresa pequena não precisa de um documento de dez páginas. Precisa de um número que o time consiga cumprir e que o cliente consiga entender. O caminho abaixo cabe em uma semana.
- Escolha um canal e um prazo. Comece pelo canal onde chega a maior parte dos pedidos e pelo prazo de primeira resposta. É o que o cliente mais sente e o mais fácil de medir.
- Meça o que acontece hoje. Pegue as últimas semanas de atendimento e calcule quanto tempo levou cada primeira resposta. Se não houver registro, anote durante duas semanas, mesmo em planilha.
- Olhe o caso comum, não a média. Ordene os tempos e veja o valor que cobre nove em cada dez atendimentos. A média engana: se metade das respostas sai em 5 minutos e a outra metade em 8 horas, a média de quatro horas não descreve nenhum cliente real.
- Prometa um pouco menos do que o histórico. Se hoje nove em cada dez casos recebem resposta em 4 horas, prometa 4. Cumpra por dois meses e só depois aperte. SLA apertado demais ensina o time a fechar chamado só para o relógio parar.
- Escreva em uma frase. "Primeira resposta em até 4 horas úteis, de segunda a sexta, das 8h às 18h." Sem adjetivo, com unidade e com horário.
- Deixe o prazo visível para quem atende. Prazo que mora num contrato e não na tela do atendente não é cumprido, é lembrado depois.
- Só então adicione o prazo de solução. Quando a primeira resposta estiver estável por duas ou três semanas, acrescente a solução e depois a matriz por prioridade.
Prazo na tela de quem atende
Na Tasskee, o chamado carrega o prazo e a conversa no Atendimento mostra quanto tempo falta. Veja como funciona.
Ver chamados
O relógio precisa parar quando a bola está com o cliente
Boa parte dos atendimentos trava esperando algo de quem pediu: um número de pedido, um print, a confirmação de que pode reiniciar o equipamento. Se o relógio de solução continua correndo nessa espera, o indicador mede a demora do cliente e não a do time. O atendente percebe, para de olhar o número e o SLA perde a função de alerta.
A regra é simples. Quando o chamado entra em estado de espera pelo cliente, o prazo de solução congela e volta a correr quando ele responde. O prazo de primeira resposta não congela: ele é responsabilidade inteira do time. Escreva essa regra no acordo, para que ninguém descubra a pausa só na hora de discutir um estouro.
Medição e relatório
SLA sem medição vira opinião. O mínimo de acompanhamento cabe em quatro números.
- Percentual cumprido: de todos os chamados do período, quantos ficaram dentro do prazo, por relógio (primeira resposta e solução).
- Pior caso: o chamado que mais passou do prazo. A média esconde exatamente os casos que geram reclamação.
- Volume por prioridade: se tudo chega como crítico, a matriz não está funcionando.
- Estouros por motivo: falta de gente, assunto que depende de outra área, entrada mal descrita. Sem o motivo, o número não leva a nenhuma decisão.
Um relatório mensal de uma página basta: o percentual cumprido, o pior caso, os três assuntos que mais estouraram e uma decisão para o mês seguinte. Os relatórios por atendente e por período ajudam a responder se o volume cabe no time atual e qual assunto pede uma solução definitiva em vez de mais esforço.
Meta de percentual, não de 100%
Prometer 100% de cumprimento é prometer o que ninguém entrega. Prefira metas como "95% dos chamados dentro do prazo no mês". Isso deixa claro que o estouro eventual é esperado e que o que importa é a tendência.
SLA interno e SLA com o cliente
As duas coisas coexistem e não precisam ter o mesmo número.
O SLA com o cliente é o que está no contrato ou na proposta. Deve ser um prazo que a empresa cumpre com folga, porque é ele que gera desconto ou quebra de confiança.
O SLA interno é o combinado entre áreas: o suporte passa o chamado para o desenvolvimento, e o desenvolvimento se compromete a dar uma posição em tantas horas. Ele é mais curto que o prazo do cliente, para deixar espaço de manobra. Se o cliente tem 1 dia útil para a solução, o time interno trabalha com 6 horas úteis para a análise e o restante para a correção e a entrega.
Quando a demanda sai do atendimento e vira trabalho de outra equipe, o ideal é que o vínculo com o chamado original se mantenha. Quem atende acompanha o andamento sem perguntar no corredor e consegue dar uma posição ao cliente. É por isso que faz diferença ter suporte e projetos na mesma base, e não em dois sistemas que não conversam.
O que fazer quando o prazo estoura
Todo SLA estoura de vez em quando. O que diferencia uma operação organizada de uma bagunça é o que acontece nos minutos seguintes.
- Avise antes do estouro. O aviso útil chega quando ainda sobra tempo, por exemplo quando 80% do prazo foi consumido. Alerta que dispara junto com o vencimento é só registro.
- Escale para uma pessoa. O aviso precisa ir para alguém com nome, normalmente o supervisor da equipe. Notificação enviada a um grupo inteiro é notificação de ninguém.
- Fale com o cliente antes que ele pergunte. Uma mensagem curta, com o motivo e uma nova previsão, vale mais que uma solução que chega calada.
- Registre o motivo. Cada estouro precisa de uma causa: falta de capacidade, dependência externa, pedido mal descrito, prioridade errada.
- Procure o padrão. Se o mesmo assunto estoura sempre, o problema não é o atendente. Aquele tipo de pedido precisa de outro caminho, de mais gente ou de uma correção definitiva.
- Aplique a consequência combinada. Se o contrato prevê desconto ou crédito, aplique sem esperar o cliente cobrar.
Erros comuns ao montar um SLA
- Prometer 24 horas para tudo. Prazo único trata urgência e dúvida do mesmo jeito, e o cliente com urgência é quem reclama.
- Copiar o SLA de outra empresa. O prazo precisa nascer do histórico do seu time, não do concorrente.
- Medir só a média. Ela esconde os casos graves. Acompanhe também o pior caso da semana.
- Deixar o relógio correr na espera do cliente. Distorce a medição e desmotiva o time.
- Contar resposta automática como primeira resposta. A métrica melhora e o cliente continua sem retorno.
- Fechar chamado para parar o relógio. Acontece quando o prazo é apertado demais. O número melhora e a satisfação cai.
- Esquecer a entrada. Pedido que chega pela metade consome horas de ida e volta antes de alguém trabalhar. Um formulário de abertura com os campos certos poupa mais tempo de SLA que qualquer painel.
- Não revisar. O time cresce, o produto muda, o canal muda. Revise os prazos a cada trimestre.
SLA no WhatsApp
O WhatsApp trouxe uma expectativa nova: quem escreve ali quer resposta em minutos, e não em horas. Isso exige três cuidados.
Defina o horário de atendimento. A mensagem chega a qualquer hora, mas o time não responde a qualquer hora. Uma mensagem automática fora do expediente, dizendo quando haverá retorno, evita a sensação de abandono.
Trate a conversa como atendimento, não como bate-papo. Se a conversa fica solta no celular de uma pessoa, não existe prazo, nem fila, nem relatório. É preciso que cada conversa tenha responsável, status e prazo. O post WhatsApp para suporte sem bagunça trata dessa organização.
Use prazos mais curtos que os do e-mail. Para o mesmo assunto, a primeira resposta no WhatsApp costuma ser de minutos, enquanto no e-mail pode ser de horas. Defina um prazo por canal e meça separado.
Uma conversa do WhatsApp que exige trabalho de outra área, como uma correção ou um orçamento, deve virar chamado ou tarefa, mantendo o vínculo com a conversa original. Assim o cliente continua com um só ponto de contato, e o time trabalha com prazo e responsável.
Quem precisa de SLA
Qualquer operação que recebe pedidos e devolve resposta se beneficia de um acordo de prazo, mesmo que informal. Alguns exemplos brasileiros:
- Uma empresa de TI gerenciada que atende vários clientes por contrato mensal e precisa provar que cumpriu o combinado.
- Uma empresa de segurança eletrônica que atende chamado de manutenção em câmeras e alarmes, com prazo de visita por prioridade.
- Uma administradora de condomínios que recebe pedidos de moradores e precisa responder e resolver no prazo.
- Um time de RH ou de financeiro que atende internamente os outros departamentos e quer previsibilidade sem briga.
Em cada caso o formato é o mesmo: chamado, prioridade, prazo, medição. O que muda são os números e o nível de formalidade.
Antes de comprar uma ferramenta
Dá para começar com uma planilha e um combinado escrito. Quando o volume cresce, a planilha perde: o prazo não aparece na tela de quem atende, o aviso depende de alguém lembrar e o relatório vira trabalho manual. É a hora de usar um sistema de chamados. Se a dúvida é entre uma ferramenta gratuita e uma paga, o post sistema de chamados gratuito: vale a pena? compara os cenários.
Como fazer na Tasskee
A Tasskee trata SLA em dois lugares, conforme o tamanho da operação.
Chamados. Em /chamados há fila própria, status próprios, prazo e SLA, e um formulário público de abertura para o cliente pedir sem ter conta. O prazo acompanha o chamado, e o que precisa de outra área vira tarefa do projeto. Chamados e formulários fazem parte do plano Pro.
Atendimento. Em /atendimento, o add-on por canal reúne WhatsApp oficial, WhatsApp por QR Code e e-mail, com atendente de IA e conversa que vira chamado ou tarefa. O SLA tem três prazos, por canal: primeira resposta, resposta seguinte e resolução, com uma política padrão e outra para um canal prioritário. O selo da conversa mostra quanto tempo falta, avisa quando o prazo aperta e, se vencer, o alerta chega aos supervisores da equipe. Enquanto o chamado aguarda o cliente, o relógio de resolução para, e só resposta humana conta como resposta. Há relatório de cumprimento por canal, equipe e atendente, e pesquisa de satisfação (CSAT) ao fim do atendimento.
O Atendimento é contratado junto com o Pro ou o Max, com teste de 14 dias em qualquer plano. Os valores estão em /precos.
Comece pelo primeiro prazo
Crie a conta, abra a fila de chamados e defina o prazo de primeira resposta. Os 15 dias do Pro são grátis e sem cartão.
Ver chamados e SLA