Tempo por estado: o número que mostra onde o seu processo encrava
O prazo em atraso é um sintoma; o tempo que a tarefa passa parada em cada etapa é a causa. O que é o tempo por estado, como medir sem folha de cálculo e como usar a mediana para encontrar o verdadeiro estrangulamento.
O projeto atrasou-se. Na reunião, cada um aponta um motivo: o cliente demorou, a equipa é pequena, o requisito mudou. Todos têm um bocado de razão, e ninguém tem um número. O prazo ultrapassado é um sintoma. A causa está noutro lugar: no tempo que cada tarefa passou parada, à espera, em cada etapa do caminho.
Esse número tem nome, tempo em estado, e é o que permite trocar a discussão de opiniões por uma conversa sobre dados. Aqui fica o que é, porque usar mediana e P85 em vez de média, o que é eficiência de fluxo e como encontrar o estrangulamento, com um exemplo de cálculo.
O que é o tempo em estado
Toda a tarefa passa por etapas: "A fazer", "Em curso", "Em revisão", "A aguardar cliente", "Concluída". O tempo em estado é quanto tempo ficou em cada uma. Somando todas, obtém o ciclo completo, do princípio ao fim.
Para medir, é preciso guardar cada mudança de estado, com data e hora. Sem esse histórico, a única informação disponível é onde a tarefa está agora, nunca por onde passou. É por isso que a maior parte das folhas de cálculo não consegue responder à pergunta: guardam o estado atual, não a trajetória.
Lead time e cycle time
Dois termos aparecem sempre nesta conversa. O lead time é o tempo desde que o pedido foi feito até à entrega, a visão de quem pediu. O cycle time é o tempo desde que o trabalho começou até terminar, a visão de quem executa. O tempo em estado divide os dois em pedaços para ver qual deles está inflacionado.
Porquê mediana e P85, e não média
Imagine dez tarefas de revisão. Nove demoraram 1 dia. Uma ficou esquecida 40 dias. A média é de 5 dias, um número que não descreve nenhuma delas. A mediana, o valor do meio, é 1 dia, e mostra o comportamento normal da equipa. A tarefa de 40 dias merece atenção, mas como exceção, não como parâmetro.
O P85 completa o quadro. Diz: "85% das tarefas saem desta etapa em até X dias". É o número que se pode prometer. Se o P85 da revisão é de 3 dias, pode dizer a um cliente "a revisão demora até 3 dias" e acertar em 85 de cada 100 casos, o que é bastante mais honesto do que citar a média.
| Medida | Responde a | Quando usar |
|---|---|---|
| Média | Quanto, somando tudo e dividindo | Raramente: uma tarefa esquecida distorce-a |
| Mediana | Quanto demora uma tarefa típica | Para perceber o comportamento normal |
| P85 | Quanto demora quase toda a tarefa | Para prometer prazos e para detetar o que foge ao padrão |
Um cuidado: com poucas tarefas, qualquer percentil é frágil. Cinco tarefas não formam uma amostra. Uma boa prática é desconfiar de conclusões tiradas de um punhado de casos e esperar que o volume cresça antes de mudar o processo.
Eficiência de fluxo: quanto do tempo é trabalho
Eis uma conta que costuma surpreender. Some o tempo em que a tarefa estava de facto a ser trabalhada e divida pelo ciclo total. O resultado é a eficiência de fluxo. O resto é espera: a aguardar aprovação, a aguardar que alguém liberte, parada na fila.
Numa tarefa que demorou 10 dias no total e teve 2 dias de trabalho efetivo, a eficiência é de 20%. Os outros 80% foram espera. Isto muda o remédio: contratar mais pessoas acelera o trabalho, mas só ataca 20% do problema. Reduzir a espera, com menos filas de aprovação e menos etapas paradas, ataca os 80%.
Para o cálculo fazer sentido, o sistema precisa de saber quais dos seus estados são trabalho e quais são espera. Na Tasskee isso sai dos seus próprios estados, sem configurar nada à parte.
Como encontrar o estrangulamento
O estrangulamento é a etapa em que o trabalho se acumula, e é onde qualquer melhoria rende mais. Para o encontrar, siga três passos.
- Liste as etapas pela ordem em que acontecem e anote a mediana de cada uma.
- Calcule a fatia de cada etapa no ciclo total. Divida a mediana da etapa pela soma das medianas.
- Olhe para a maior fatia e para o P85 dela. Uma etapa longa e com P85 muito acima da mediana é a candidata mais forte: é lenta e imprevisível ao mesmo tempo.
Um exemplo com números
Uma agência acompanha os posts de blogue que produz para clientes. Em 40 posts concluídos, as medianas por etapa foram estas.
| Etapa | Mediana | P85 | Fatia do ciclo |
|---|---|---|---|
| Pauta | 1 dia | 2 dias | 8% |
| Redação | 3 dias | 5 dias | 25% |
| Revisão interna | 1 dia | 2 dias | 8% |
| A aguardar aprovação do cliente | 6 dias | 14 dias | 51% |
| Publicação | 1 dia | 1 dia | 8% |
A soma das medianas dá 12 dias. A equipa estava convencida de que o problema era a redação, a etapa que mais ocupa as pessoas. Os números dizem outra coisa: metade do ciclo é espera pelo cliente, e o P85 de 14 dias mostra que, em alguns casos, é bem pior.
A ação mais eficaz, então, não é escrever mais depressa. É combinar com o cliente um prazo de resposta, lembrá-lo automaticamente e deixar a aprovação num lugar fácil, como o portal do convidado. Se a mediana da aprovação descer de 6 para 3 dias, o ciclo passa de 12 para 9, um ganho maior do que qualquer ajuste de redação conseguiria.
O painel de Fluxo da Tasskee mostra mediana e P85 por etapa, a eficiência de fluxo e o que está a ultrapassar o tempo normal. Disponível no plano Pro; teste durante 15 dias sem cartão.
Ver o painel de fluxoO que olhar além do estrangulamento
Voltas e retrabalho
Uma tarefa que volta três vezes à revisão passou três vezes por aquela etapa. O correto é contar cada passagem, e não só a última. Se a revisão aparece com muitas passagens por tarefa, o problema pode estar na etapa anterior: o briefing ou o critério de pronto não estão claros.
O que vai ultrapassar o prazo
Comparar tarefas abertas com um prazo fixo igual para todas é injusto: uma etapa que normalmente demora um dia e outra que demora uma semana não podem ter o mesmo alarme. O mais útil é comparar cada tarefa aberta com o tempo normal da própria etapa. Uma tarefa há 5 dias numa etapa de mediana 1 dia merece atenção hoje, sem esperar pelo prazo do projeto.
Tarefas e pedidos juntos ou separados
Um pedido de suporte e uma tarefa de projeto têm ritmos diferentes. Misturar os dois esconde o comportamento de cada um. Meça-os separadamente e depois em conjunto, se precisar de uma visão geral da equipa.
Erros comuns ao medir
- Estados a mais ou a menos. Com dois estados, "Aberta" e "Fechada", não há o que medir. Com vinte, ninguém atualiza. Entre cinco e oito costuma bastar.
- Mover tudo no fim da semana. Se a equipa só atualiza o quadro à sexta-feira, o tempo em estado passa a ser ruído. A medição é tão boa quanto a disciplina de mover a tarefa quando ela muda de fase.
- Usar o número para cobrar pessoas. O objetivo é ver o processo. Quando passa a ser um ranking individual, as pessoas começam a esconder o que travou.
- Concluir com uma amostra pequena. Espere ter volume antes de reorganizar a equipa.
Onde isto aparece nos relatórios
O tempo em estado é um dos números que vale a pena ver ao lado dos restantes relatórios e painéis do projeto: carga por pessoa, tarefas atrasadas, horas. Cada um responde a uma pergunta diferente. O atraso diz que algo saiu do plano; a carga diz quem está sobrecarregado; o tempo em estado diz em que etapa o trabalho se está a perder. Sozinho, nenhum deles conta a história inteira, mas o tempo em estado costuma ser o que explica os outros dois.
Como começar
- Reveja os estados do seu quadro Kanban: cada um deve representar uma fase real, e precisa de saber quais são trabalho e quais são espera.
- Use o quadro normalmente durante algumas semanas, movendo as tarefas na hora.
- Abra o painel e olhe para a mediana e o P85 por etapa. Procure a maior fatia.
- Escolha uma única etapa para melhorar, mude uma regra (limite de itens, prazo de resposta, critério de pronto) e meça de novo no mês seguinte.
O ganho de ver o tempo em estado não é um número bonito. É deixar de discutir onde o processo encrava e passar a decidir o que mudar primeiro, com o dado ao lado.